A gestão do basquete brasileiro – um olhar crítico

A gestão do basquete brasileiro

Com toda a crise no basquete nacional, o Ataque não poderia deixar se posicionar a respeito. Apresentamos um ponto de vista sobre o que está acontecendo e apontando certas falhas.

Não se trata em ter a razão. Mas levantar a bola sob um olhar de quem vive o basquete e quer vê-lo em alto nível. Em parceria com Henrique Lima*, o texto aponta o que já vem acontecendo no esporte.

Segue, para leitura:

“Desde 2008, escrevo para o www.draftbrasil.net, um portal referência da modalidade no país, em análises independentes, que a situação do basquete brasileiro era caótica.

Trabalhei em vários jogos de base e universitário como treinador, outros nacionais e internacionais como repórter/analista, fui em várias clínicas nacionais e internacionais, diplomei o tão aclamado “nível I” da Escola Nacional de Treinadores de Basquete no curso de 36 horas e por aí vai, ou seja, dá para dizer que eu conheço um pouco do meio do basquete, infelizmente.

Infelizmente porque o meio do basquetebol, em sua monstruosa maioria, é isso aí. É composto por pessoas como estas que estão aí com seus vários problemas na CBB e federações. Alguns, ou muitos dos quais, deveriam sair indiciados pelo que fizeram com a modalidade no Brasil e ainda fazem.

Lendo um texto em um grupo de treinadores de autoria do Marco Antônio Agra, veterano treinador, resolvi escrever que apenas loucos vão investir por aqui. Os que deveriam gerir o dinheiro do contribuinte, o nosso dinheiro, da melhor forma possível para desenvolvimento da modalidade, há pelos menos duas décadas, que gastam com diárias caras em hotéis luxosos pelo mundo e jantares nababescos, claro, com os idiotas de plantão pagando a conta.

Alguns iludidos vão acreditar em melhora.

Mas como existir melhora se principal organização de atletas da modalidade no Brasil, vota a favor em dois de três balanços recentes da CBB (na outra absteve de votar) ? Como vai melhorar, se sai Grego, entra Carlinhos? E sai Carlinhos, entra qualquer um de qualquer federação que já fazia parte do mesmo ciclo da decadência da nossa modalidade ?
Como vai melhorar se a Escola Nacional de Treinadores de Basquetebol, em sua página no facebook, tem a última matéria postada em ABRIL DE 2016 ? Onde estão estes ” amantes” do basquetebol ? Preocupados com os cabides de emprego que irão perder ? Como vai melhorar se o sistema esportivo nacional, falido, composto por confederação e federações, jamais será alterado afinal é usado como suporte político de tantos e tantos que “amam o basquetebol”?

Ninguém leva a sério o basquetebol brasileiro. NINGUÉM.

Eu falava isso em 2008. Falo isso em 2016 e irei falar isso em 2030, pelo andar da carruagem. Com ou sem intervenção, não é isso que precisa mudar no basquetebol nacional. Isso em si é apenas o remédio amargo que teremos de enfrentar pela descaso com a modalidade em mais de duas décadas. E não falo isso com prazer. Aliás, pelo contrário, falo isso com dor na alma. Porque esta modalidade me proporcionou e ainda me proporciona muitos bons momentos e incontáveis amizades, para toda vida, nos mais variados locais do planeta.

O basquetebol brasileiro precisa de pessoas que não pensem em si próprio, em ganhar campeonatinhos de base a qualquer custo. Não precisa de gente que pisa nos outros para ganhar meia dúzia de jogos sem importância num mineiro de base ou qualquer outra coisa sem sentido. Precisa de gente que coloca a realidade em primeiro lugar. Somos piada internacional faz tempo, seja pela falta total de gestão de quem deveria gerir, seja pela soberba idiota de muitos que estão no meio. Ou ainda pelos resultados pífios que apresentamos faz tempo em todas as categorias, com raras e honrosas exceções.

O Basquetebol precisa de gente qualificada e nos locais certos. Não adianta invenciones que nunca deram certo, continuam sem dar certo e não irão dar certo. O esporte profissional não aceita o jeitinho-brasileiro. É incompatível o jeitinho-brasileiro de resolver as coisas com a seriedade de quem faz basquetebol fora do nosso país.

É triste demais ver o basquetebol brasileiro se afundando a cada dia que passa.

Falar e lógico, jamais ser ouvido, afinal, os que sabem tudo estão no comando tem uns vinte anos. E curiosamente apoiaram e apoiam (quando não fazem parte e ainda aplaudem de pé) esta coisa absurda que tem sido feita com a modalidade. Que tenhamos dias melhores, mas por enquanto, está difícil demais de acreditar que teremos.

Não entendo motivo para tanta alegria.

Obs: Seleções Sub-15 Masculino e Feminino não competem no Sulamericano-2016 por falta de VERBAS ! (Sendo assim, não jogarão Copa América Sub-16 e tão pouco Mundial Sub-17).
Isso vindo do maior e mais rico país da América do Sul.”

Henrique Lima escreve desde 2008 na Draftbrasil.net. Escreve a convite do autor do Ataque. Formado em educação física pela Universidade Federal de Viçosa. Treinador Nível I da Escola Nacional de Treinadores de Basquetebol. Técnico de Basquetebol desde 2005 com experiência em iniciação, categoria de base e adulto. Trabalha no basquete desde 2005.
(Foto: Daniel Zappe/CPB/MPIX)

One thought on “A gestão do basquete brasileiro – um olhar crítico

Deixe uma resposta