Equipes femininas no futebol. 5 motivos que seriam mais eficazes que impor a participação

Futebol Feminino

Clubes da Série A serão obrigados a ter equipes femininas em 2018. Além da novidade, clube sem futebol feminino ficará fora da Libertadores a partir de 2019.

Em nossa visão, essa medida em nada vai ajudar a estimular a modalidade. Clubes da Série A serão obrigados a ter equipes femininas a partir de 2018. Essa não é a melhor maneira de estimular o esporte. Bola fora. É preciso estimular o desempenho na modalidade, criar formas de competitividade com a disputa e um nascimento natural de novos talentos.

Várias são as barreiras encontradas no futebol feminino. Se em época de Olimpíada e Copa o Futebol Feminino chama a atenção, isso não pode ser dito na temporada normal. Então temos a primeira falha: detectar e chamar a atenção do torcedor. Tornar a competição atrativa. A marca dos clubes vai ajudar. O torcedor familiarizado com o clube e a marca vai acompanhar mais de perto. Porém, em curto prazo, dado a sua obrigação, podem naturalmente incorrer em atletas de nível inferior.

Falta também apoio e investimento. Ora, temos vários exemplos de times que fecharam as portas para o futebol feminino por que os custos eram elevados. A CBF e a Conmebol irão colaborar com algo? Muito embora seja notório o fato de 5% dos recursos do futebol masculino ser possível montar um time feminino, é preciso ter uma fonte de renda independente para isso.

Sugestões em pauta

1 – Divulgação e envolvimento de todas as partes

Após as Olimpíadas, no qual o futebol feminino brasileiro teve boa participação, aconteceu a Copa do Brasil Feminina. Poucos sabiam da transmissão ao vivo pelo site da CBF. Muito embora transmissões pela internet ainda seja algo novo. Porém, se a transmissão é gratuita, por que não negociá-lá por um valor simbólico para a TV? Até mesmo oferecer em parceria com patrocinadores ou em venda de pacotes de outros torneios.

O que falta? Talvez uma rodada dupla. Por que não colocar os jogos do feminino com a mesma tabela do futebol feminino e as mulheres disputarem a partida em caráter preliminar? Provavelmente o custo da realização da partida diminuíria. E atraíria a atenção de vários outros.

2 – Condição de trabalho profissional

Situação de carteira e contratos. Campeonato digno e calendário são fundamentais para que as mulheres possam cumprir contratos. Condição de treino pode ser – e deverá ser – oferecido pelo clube. O importante é garantir o calendário de jogos anual para as meninas e uma condição de competição igual.

3 – Tradição e qualidade

O Futebol Masculino tem muito mais público que o Futebol Feminino no Brasil. Parece esporte diferente em termos de apelo. O futebol masculino já está enraizado no torcedor. Qualquer jogo com apelo menos expressivo consegue a atenção do telespectador na TV. Na escola mesmo, há maior prática. Esse paradigma precisa ser quebrado. É preciso promover as jogadoras, sobretudo, como atletas. Para que alcancem rendimento em alto nível como o da Marta, por exemplo.

4 –  Comercial

É preciso uma forma de atrair empresas para engajar nesse projeto. Empresas que estão ligadas em causas feministas, empresas com produtos femininos, idéias que circulem o empoderamento feminino. È hora delas entrarem de cabeça nessa. Criar cotar vantajosas para as empresas para ter uma resposta positiva. E claro, uma relação ganha-ganha. CBF e Conmebol deveriam a principio oferecer valores. Já que é uma obrigação, eles precisam promover a atração e equipes.

5 – Público

A final da Libertadores Feminina onde o Santos, com a Marta, conquistou o tri da Libertadores não ultrapassou 50% da capacidade da Vila Belmiro. A partida teve ingressos a preços acessíveis. Informação indigesta. Para isso, a sugestão foi dada de rodada dupla. É um gancho para o torcedor ter uma atração a mais para ir a jogos. E quanto ao noticiário? Não há como obrigar o noticiário divulgar o dia a dia do futebol feminino. Os clubes precisam trabalhar isso. O Ataque falou da mudança de perfil da comunicação dos clubes. Há meios de fazer isso sem gerar (mais) custos. Ainda mais na era de redes sociais. Os torcedores precisam estar bem informados.

Repassar o problema para os clubes não é a melhor saída

Copiar o que vem de fora também não é uma má ideia. Idealizar bons exemplos é salutar. EUA tem um bom modelo pro futebol feminino.

A Conmebol poderia negociar repasse de valores de seus patrocinadores do masculino para o Feminino. O mesmo com a CBF com seus volumosos contratos.

Ainda mantenho a opinião de ser surreal a idéia de obrigar que clubes criem o deportamento de futebol feminino. Isso não é promover o esporte. Os custos de um jogo profissional ficam por volta de 60 mil a 100 mil reais. O Santos Futebol Clube teve a Marta um time feminino e um tri campeonato da Libertadores feminina e isso foi recente, e teve que se desfazer do projeto pois dava prejuízo. O Futebol feminino merece mais carinho.

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