Os clubes de futebol investem em sua marca própria

Futebol e a marca própria dos clubes

A investida dos clubes em marca própria. Vale a pena?

No início de 2016, o Paysandu adotou uma estratégia inovadora para o futebol brasileiro e lançou a Lobo. Uma marca própria de uniformes que passou a fabricar o uniforme do clube. Um ano depois, é notável o sucesso da iniciativa. Segundo o departamento de marketing do clube paraense, foram vendidas 110 mil camisas. Pouco mais do que o dobro de 2015, quando a Puma era a fornecedora do Papão da Curuzu.

Em setembro de 2016 o Fortaleza apresentou a Leão 1918. O Tricolor do Pici rompeu com a italiana Kappa, fez um benchmarking com o Paysandu e apostou fichas no novo projeto. Com isso, o faturamento aumentou 12 vezes, ainda de acordo com diretoria.

O Juventude lançou novo uniforme com marca própria em abril de 2016. O nome da nova marca é 19 Treze, em alusão ao ano de fundação do clube (1913). uma estratégia que visa gerar uma boa receita para o clube: o Juventude não tinha margem de lucro com as vendas dos artigos. Agora passou a ter 10%. O clube teve alguns problemas com a Kappa e não tinha camisas para vender nas lojas. A partir de agora, eles recebem 20% por cada peça comercializada.

Com a saída da Umbro em dezembro de 2016, o Joinville criou a 8CTA, que, como o próprio nome diz, homenageia os oito títulos catarinenses consecutivos da equipe entre os anos de 1978 e 1985. Com o Coelho de SC aconteceu até mesmo um fato curioso. Ao lançar sua nova marca, o desenho dava, digamos, uma ideia dúbia sobre o logo. Refizeram, e no final de 2016, o JEC anunciou que passará a jogar com sua marca em 2017.

Casos diferentes

Outro clube que entrou nesse nicho foi Santa Cruz lançou sua marca própria. Trata-se da Santa Forte. Mas no caso, mantiveram o contrato com a Penalty. Falamos aqui sobre a nova terceira camisa que o Tricolor do Arruda vai lançar e também uma breve passagem sobre os novos licenciamentos de produtos do Santa.

O Santos é o caso a ser analisado pelos grandes clubes. O clube que estimava lucrar cerca de 30 milhões em 2016. A Kappa, porém, seguia assinando a coleção. No modelo atual, o Alvinegro ganha R$ 11 em royalties por camisa vendida, se esta custar R$ 180. No molde idealizado por Modesto, o clube conseguiria R$ 50 por peça vendida e repassaria uma parte à empresa de material esportivo.

Antes do rompimento com Nike e Netshoes, o Santos levava apenas uma pequena porcentagem em cima das vendas, mas não tinha gastos com a produção. Desta forma, os R$ 7 milhões fixos por ano não existem mais. Contudo, a expectativa era deixar de lucrar R$ 11 e obter R$ 55 com a venda de uma camisa. Era. Mas não foi o que aconteceu: Santos viu suas camisas encalharem e tem só 7% do lucro esperado. No caso do Alvinegro Praiano, o novo contrato define uma nova dinâmica.

Análise

Uma dúvida tem sido uma frequente no meio esportivo atualmente, muitas pessoas têm perguntado em nossas redes sociais quando publicamos algo referente a isso. Vale a pena investir em uma marca própria? Quando se investe em marca própria, 100% da renda vai diretamente para o time, diferente de outros tempos, quando apenas parte dos lucros iam. Mas há de pesar os custos para uma investida nesse nicho.

Qual a vantagem de um clube que pode receber milhões de uma fornecedora, abrir mão desse licenciamento, para investir em sua marca própria? É preciso por na balança e ver qual apontamento faz diferença no caixa.

A resposta não é tão difícil. Tudo depende da força de arrecadação que o clube teria com sua marca. Será que produzir uniforme, fazer o repasse, conseguir uma boa distribuição superaria os milhões que as tradicionais fornecedoras oferecem? Não podemos esquecer que, bem ou mal, elas ainda têm o know how em comercializar os uniformes. Toda a logística comercial é por conta deles.

Além do mais, o clube deixaria de focar no seu objetivo e teria que administrar mais uma atividade. A confecção e distribuição de camisas. Ou seja, mais gente para contratar. Isso envolve muitos custos para clubes: é preciso pensar na distribuição de grandes redes e em todas as suas lojas. Clubes que não possuem rede de lojas grandes e em outras cidades.

Nesse momento, vale os aplausos aos times que tiveram iniciativa e buscaram nova fonte de receita, com mais autonomia. E mais dinheiro na conta.

8 thoughts on “Os clubes de futebol investem em sua marca própria

  1. Primeiro parabenizar o site e o artigo, muito bem escrito.
    Esse é um nicho “novo” e que ainda haverá varios cases para dizer que será a solução para ter novas rendas ou até mesmo aumentar o poder de barganha numa renovação com as fornecedoras tradicionais.
    Neste primeiro momento o Paysandu e o Fortaleza são os cases realmente que estão dando certo e ultrapassaram a expectativas de venda e lucro.
    O que os 2 clubes tem em comum?
    São times de massa regionais. Possuem 3, 4 milhões de torcedores e a maioria dentro de seus estados, o que facilita a logistica de distribuição, além do mais, seus torcedores são fanaticos, o paysandu depois de todo seu sucesso no começo dos anos 2000 com o auge em 2003, passou 7 anos na serie C. O Fortaleza caiu para a C e ainda nao conseguiu sair dela, entretanto sempre são recorde de publico nos torneios estaduais, regionais e brasileiro.
    Ou seja, são torcedores que apoiam o time e a criação de uma marca vinculada ao clube nao seria diferente.
    Outros times do nordeste, alguns do centro oeste e alguns do sul tem essa mesma característica e poderiam investir neste modelo de negocio.
    Sucesso aos corajosos

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