Naming Rights de estádios: o impasse gerado pela tradição

Tradição no futebol é coisa séria. Mudar o nome de icônicos estádios é difícil.
O Real Madrid estava, há até pouco tempo, lutando para encontrar um parceiro para os direitos autorais do tradicional estádio Santiago Bernabéu, de acordo com a imprensa espanhola. A verdade é que existe um grande impasse no naming rights de estádios mundo afora.
Aparentemente, o grande obstáculo para as marcas é o risco de qualquer nome ser ofuscado pelo status histórico do Santiago Bernabéu. Há a probabilidade do estádio continuar a ser referenciado por seu nome tradicional, e não por qualquer marca parceira.
De acordo com El Confidencial, dizem que potenciais investidores justificaram isso. Foram ao presidente do clube, Florentino Perez, e ao chefe de operações comerciais, Dave Hopkinson, expressando que a situação seria diferente se o clube estivesse construindo um novo terreno, em vez de renomear e reconstruir a arena existente.
Naming Rights em estádios tradicionais tendem a ter problemas
É, de fato, impensável o torcedor deixando de chamar o Maracanã pelo seu tradicional nome. Ou até mesmo o apelido carinhoso, Maraca, para chamá-lo por um nome diferente, de uma marca. Alguns casos pelo mundo são diferentes do que citamos, mas entre eles há algo em comum:
- O Emirates Stadium de Aresnal,
- o Allianz Arena do Bayern de Munique e
- o Wanda Metropolitano de Atletico Madrid
Estes estádios foram construídos com o acordo de naming rights em mente, viraram parceiros e se beneficiaram.
Entretanto, é necessário pensar: todos os estádios já construídos estariam fadados a não obter vantagens de parceria?
Em outras palavras, não é bem assim. A Arena Itaipava foi um dos poucos cases de sucesso no Brasil. Antiga e tradicional Fonte Nova, em Salvador, o naming rights deu certo por lá. Da mesma forma, é certo ressaltar que falta empenho da imprensa em fazer o nome dar certo. Basta ver o estádio Palestra Itália, em que se esforçam em não dizer o nome Allianz Parque.
O Bernabeu possui 81.044 lugares, onde o Real Madrid joga desde 1947. E deve passar por uma reforma de US$ 617,2 milhões em 2019. O clube espera que a renovação gere US$ 176,4 milhões por ano, com um espaço para eventos também a ser construído como parte de o trabalho de renovação. A extensão dos custos do projeto aumentou a importância de um acordo de direitos de nomeação para o clube. Contudo, o clube já garantiu um financiamento com um empréstimo de € 575 milhões do Bank of America Merrill Lynch e do JP Morgan.
Situação complicada. Uma reforma ou um novo estádio. O Atlético de Madrid fez sua escolha. Construiu um estádio do zero. O Real ainda segue no impasse.
Talvez o impasse do futuro será quando o contrato acabar. E o estádio ficar marcado pelo nome comercial e ninguém conseguir chamar pelo nome tradicional.
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Imagens: Site do Real Madrid
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