A experiência do torcedor também faz parte do jogo
Durante muito tempo, a principal pergunta do marketing esportivo e da comunicação dos clubes de futebol era: como levar mais torcedores ao estádio?
Hoje, talvez a pergunta precise ser outra: o que o clube pode oferecer para melhorar a experiência do torcedor?
Perfil do torcedor atual
Os números ajudam a entender esse desafio. Uma pesquisa da Nexus, encomendada pela CBF e realizada com 2.006 brasileiros em agosto de 2025, mostrou que 73% dos entrevistados costumam acompanhar partidas de futebol. Porém, quando olhamos para o consumo presencial, a realidade é diferente: 59% nunca foram a um estádio, enquanto 22% já frequentaram, mas deixaram de ir. Apenas 19% afirmaram atualmente acompanhar partidas nas arquibancadas.
Isso mostra uma diferença importante: o brasileiro consome futebol, mas isso não significa necessariamente que ele queira ou consiga viver a experiência do torcedor presencialmente.
E os motivos vão além do preço dos ingressos. Entre aqueles que não frequentam os estádios, 41% apontaram falta de interesse em futebol, 23% citaram questões de segurança e 12% mencionaram o preço dos ingressos.
Ao mesmo tempo, assistir a uma partida de casa ficou cada vez mais confortável. Replays, estatísticas, diferentes ângulos e informações em tempo real fazem parte da experiência de quem acompanha o jogo pela televisão ou pelo streaming.
Uma pesquisa da Deloitte mostra justamente esse comportamento: 58% dos fãs de esportes entrevistados gostariam de ter, no estádio, acesso às mesmas estatísticas, análises e replays disponíveis quando assistem de casa. Entre Gen Z e millennials, esse percentual se aproxima de 70%.
Como os clubes estão trabalhando a experiência do torcedor
Então surge um desafio interessante para os clubes: se a televisão consegue entregar cada vez mais informação, o estádio precisa entregar uma experiência do torcedor que a televisão não consegue.
E alguns clubes já estão caminhando nessa direção.
Em agosto, o Flamengo apresentou uma nova estratégia de marca baseada no conceito de Sportainment, integrando esporte, conteúdo, entretenimento, produtos, serviços e experiências. O clube passou a estruturar sua estratégia pensando na jornada do torcedor para além das partidas.
O Atlético-MG também vem trabalhando nessa lógica. Na Arena MRV, o clube utiliza o Super App do Galo e o telão para criar ativações durante o matchday, incluindo quizzes, participação da torcida e premiações.
A mudança, portanto, não está apenas em colocar mais tecnologia no estádio. E sim em entender que o jogo é apenas uma parte do produto futebol.
O torcedor pode chegar antes, participar de uma ativação, conhecer uma área do clube, consumir conteúdo, interagir com o mascote, levar os filhos, comprar um produto, compartilhar aquele momento nas redes e continuar conectado depois que o árbitro apita o fim da partida.
Isso também muda a forma de pensar o engajamento da torcida e o relacionamento com os clubes de futebol. O clube que constrói experiências cria diferentes pontos de contato ao longo da jornada do torcedor.
A experiência do torcedor começa antes do jogo
E isso não significa que todos os clubes precisam construir uma arena cheia de tecnologia ou investir milhões em entretenimento.
A escala muda.
Para um grande clube, pode ser um aplicativo integrado, experiências VIP ou grandes ativações. Para um clube regional, pode ser uma ação com crianças, uma visita ao estádio, interação com o mascote, uma experiência para famílias ou simplesmente uma forma diferente de receber o torcedor no dia do jogo.
A lógica é a mesma: o futebol não precisa apenas vender ingressos, precisa criar motivos para as pessoas quererem ir até ele.
O jogo dura 90 minutos, mas a experiência do torcedor e a relação entre clube/torcedor podem durar a vida inteira.
Fonte: nexus.fsb.com.br
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