68 milhões de seguidores não são apenas uma métrica. São um ativo comercial.

De acordo com o IBOPE Repucom, o Flamengo acaba de ultrapassar uma marca que chama atenção até para os padrões do futebol brasileiro: mais de 68 milhões de seguidores somando suas plataformas digitais.

O número, por si só, impressiona. Mas, para quem trabalha com marketing no futebol, talvez a pergunta mais interessante não seja “quantos seguidores o Flamengo tem?”, e sim: o que um clube pode fazer com uma audiência desse tamanho?

Os dados são do IBOPE Repucom, que acompanha mensalmente as maiores bases digitais dos clubes brasileiros. No levantamento divulgado em 1º de setembro, o Flamengo se tornou o primeiro clube de futebol a superar os 68 milhões de seguidores em suas plataformas oficiais. Só em agosto, foram 173 mil novas inscrições. No Instagram, o clube também ultrapassou a marca de 25 milhões de seguidores.

E existe outro detalhe interessante nesse levantamento: aproximadamente 60% do crescimento do Flamengo em agosto veio do TikTok. O mesmo aconteceu com outros grandes clubes, como Corinthians, Santos e Palmeiras.

Isso reflete algo que já não deveria ser novidade para os clubes, mas que ainda parece ser tratado como tendência passageira: a forma de consumir futebol mudou.

O torcedor não está mais apenas no estádio, na televisão ou no rádio. Ele está no celular, consumindo vídeos curtos, bastidores, memes, entrevistas, cortes, conteúdos exclusivos e tudo aquilo que acontece ao redor dos 90 minutos, tornando as redes sociais um ativo para o clube.

Uma base de 68 milhões de pessoas significa uma capacidade enorme de distribuição de conteúdo, relacionamento e, principalmente, de geração de valor para parceiros comerciais.

Um patrocinador não está interessado apenas em colocar sua marca na camisa. Ele quer saber com quem está falando, quantas pessoas consegue alcançar, como pode ativar essa audiência e, principalmente, se existe uma conexão real entre sua marca e o torcedor.

Durante muito tempo, patrocínio foi tratado quase como uma conta simples: exposição de marca no uniforme, número de placas no campo, minutos na televisão e tamanho da audiência.

Hoje, a conversa é muito maior. O clube possui uma audiência própria. Pode produzir conteúdo, criar experiências, lançar produtos, desenvolver campanhas, ativar patrocinadores e construir relacionamento diretamente com milhões de pessoas.

E isso não vale apenas para o Flamengo. O tamanho da audiência obviamente muda de clube para clube. Mas o princípio é o mesmo.

Um clube com uma torcida menor pode não ter 68 milhões de seguidores, mas pode ter algo que muitas marcas procuram cada vez mais: proximidade e comunidade.

Esse talvez seja um dos grandes desafios para os clubes brasileiros nos próximos anos. Não basta acumular seguidores, é preciso entender quem está do outro lado da tela e, principalmente, o que fazer com essa atenção. Porque 68 milhões de seguidores impressionam em uma apresentação comercial, mas uma comunidade engajada, que consome conteúdo, compra produtos, participa de experiências e se conecta com as marcas parceiras, vale muito mais do que um número bonito em um relatório.

Por fim, talvez a grande pergunta para o futebol brasileiro não seja mais “quantos seguidores temos?”. Mas sim:

“Quanto valor conseguimos gerar a partir deles?”

A rede social deixa de ser apenas uma rede social, e passa a ser negócio.

Fonte: IBOPE Repucom – Ranking Digital dos Clubes Brasileiros, setembro de 2026.
Foto: Diário do Rio

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