Os clubes de futebol investem pesado em marca própria

A investida dos clubes em marca própria. Vale a pena?

A maioria dos clubes do mundo recebem investimentos de marcas globais – ou até mesmo locais – para a confecção de seus uniformes. Estes casos acontecem de forma natural, o podemos ver o cenário aqui. Vários são os clubes brasileiros que partiram para o lançamento de uma marca própria.

Quando se investe na sua própria marca, você regula e comanda o seu destino. A condição de operação é que deve ser estudada. Neste modelo, toda a produção tem que ser terceirizada. É preciso que o mercado entre dentro dessa demanda. Como ponto positivo, a marca própria permite que você atenda melhor a demanda do seu mercado, como produtos femininos e infantis. Como ponto crítico, é preciso entender que existe todo um processo por trás disso. Quando você lança a marca não é só a iniciativa, tem todo o trabalho: o risco financeiro, o desenvolvimento, o crédito para liberar para lojistas, administrar as vendas. As grandes marcam assumem essa bronca.

18 times reconhecidos hoje utilizam marca própria: Paysandu, Juventude, Fortaleza, Ceará, Bahia, Santa Cruz, Joinville, CSA, CRB, América-MG, Paraná, Goiás, Atlético-GO, Vila Nova-GO, Caxias-RS, Treze-PB, Atlético-CE e River Atlético-PI.

Santos, Sampaio Correa e Central de Caruaru já enveredaram nesta iniciativa. Mas abandonaram em seguida.

Então surge a dúvida: clubes com alcance nacional teriam disponibilidade e mão de obra para administrar a produção e gerenciar a logística de todo esse processo?

O que é preciso analisar para iniciar a marca própria?

identificar e suprir demandas do torcedor, traçando um paralelo entre faturamento e custos e ver se, de fato, partir para a marca própria vai tornar-se algo rentável para o clube.

  • design da marca, para correlacionar a nova marca com a identidade do clube.
  • confecção e o tecido do material é de grande responsabilidade. Visa garantir que jogador e, claro, o torcedor, receberão produtos de qualidade.
  • Além disso, a divulgação e comercialização são pontos fundamentais. Um, focado na logística e distribuição. O outro depende também do marketing para atingir o desejo do torcedor- muito embora estejamos falando de um público fiel e apaixonado.
  • Por fim, a tipografia, necessário para manter a identidade visual do clube.

Cenário dos clubes mais notórios que partiram para a marca própria

Com a chegada de 2016, o Paysandu chegou também com uma proposta surpreendente no futebol brasileiro e lançou a Lobo. Uma marca própria de uniformes que passou a fabricar o uniforme do clube. Um ano depois, é notável o sucesso da iniciativa. Segundo o departamento de marketing do clube paraense, foram vendidas 110 mil camisas. Pouco mais do que o dobro de 2015, quando a Puma era a fornecedora do Papão da Curuzu.

O caso mais emblemático, talvez, seja do Coritiba. Talvez por ser o mais tradicional time que partiu para essa investida com a 1909. Contudo, o objetivo era atender o anseio da torcida: melhorar a qualidade e suprir a demanda. Como resultado, o Coritiba estimou um lucro de R$ 1 milhão de reais no primeiro ano. O clube obteve R$ 523 mil de lucro com material esportivo em 2012. Porém, o número caiu em 2016, com apenas R$ 237 mil.

Em setembro de 2016 o Fortaleza apresentou a Leão 1918. O Tricolor do Pici rompeu com a italiana Kappa, fez um benchmarking com o Paysandu e apostou fichas no novo projeto. Com isso, o faturamento aumentou 12 vezes, ainda de acordo com diretoria.

Outros clubes entraram de cabeça

O Juventude lançou novo uniforme com marca própria em abril de 2016. O nome da nova marca é 19 Treze, em alusão ao ano de fundação do clube (1913). O Juventude não tinha margem de lucro com as vendas dos artigos. Agora passou a ter 10%. O clube teve alguns problemas com a Kappa e não tinha camisas para vender nas lojas. A partir de agora, eles recebem 20% por cada peça comercializada.

Com a saída da Umbro em dezembro de 2016, o Joinville criou a 8CTA, que, como o próprio nome diz, homenageia os oito títulos catarinenses consecutivos da equipe entre os anos de 1978 e 1985. Com o Coelho de SC aconteceu até mesmo um fato curioso. Ao lançar sua nova marca, o desenho dava, acima de tudo, uma ideia dúbia sobre o logo. Refizeram, e no final de 2016, o JEC anunciou que passará a jogar com sua marca em 2017.

Em várias regiões, os clubes começam a adotar a marca própria

O Bahia também entrou nessa. O clube tricolor agora avança com a Esquadrão, desde setembro de 2018. A ideia era chegar a R$ 4 milhões por ano de royalties.

Outro clube que entrou nesse nicho foi Santa Cruz lançou sua marca própria. Trata-se da Santa Forte. Mas no caso, mantiveram o contrato com a Penalty. Falamos aqui sobre a nova terceira camisa que o Tricolor do Arruda vai lançar e também uma breve passagem sobre os novos licenciamentos de produtos do Santa.

Em 2019, o América Mineiro foi outro clube que partiu para a marca própria: Sparta, o Náutico criou a N6 e o Sampaio Côrrea apareceu com a marca Tubarão.

Produção

Hoje, uma empresa que tem dominado este mercado é a Bomache. Ela é responsável pela fabricação de 7 modelos de camisas no Brasil: Coritiba (1909), Paysandu (Lobo), Fortaleza (1918), América Mineiro (Sparta), Santa Cruz (Cobra Coral), CSA (Azulão) e Sampaio Corrêa (Tubarão). Da mesma forma, a marca continua atuante e deve fechar com mais clubes.

Nem todos os casos são de sucesso

O Santos é o caso a ser analisado pelos grandes clubes. O clube estimava lucrar cerca de 30 milhões em 2016. Contudo, a Kappa seguia assinando a coleção. No modelo atual, o Alvinegro ganha R$ 11 em royalties por camisa vendida, se esta custar R$ 180. No molde idealizado por Modesto, o clube conseguiria R$ 50 por peça vendida e repassaria uma parte à empresa de material esportivo.

Antes do rompimento com Nike e Netshoes, o Santos levava apenas uma pequena porcentagem em cima das vendas, mas não tinha gastos com a produção. Desta forma, os R$ 7 milhões fixos por ano não existem mais. Entretanto, a expectativa era deixar de lucrar R$ 11 e obter R$ 55 com a venda de uma camisa. Era. Mas não foi o que aconteceu: Santos viu suas camisas encalharem e tem só 7% do lucro esperado.

Análise

Uma dúvida tem sido uma frequente. Vale a pena investir em uma marca própria? Quando se investe em marca própria, 100% da renda vai diretamente para o time, diferente de outros tempos, quando apenas parte dos lucros iam. Mas há de pesar os custos para uma investida nesse nicho. E claro, pesemos o faturamento líquido.

Qual a vantagem de um clube que, pode optar por receber milhões de uma fornecedora, abrir mão desse licenciamento, para investir em sua marca própria? Acima de tudo, é preciso por na balança e ver qual apontamento faz diferença no caixa. A resposta não é tão difícil.

Clubes com torcida que saiam do limite regional optam por manter com grandes fornecedores. Por que? Porque a responsabilidade de logística e distribuição fica toda a cargo da marca.

Será que produzir uniforme, fazer o repasse, conseguir uma boa distribuição superaria os milhões que as tradicionais fornecedoras oferecem? Mas não podemos esquecer que, bem ou mal, elas ainda têm o know how em comercializar os uniformes. Toda a logística comercial é por conta deles.

Além disso, o clube deixaria de focar no seu objetivo e teria que administrar mais uma atividade. A confecção e distribuição de camisas. Ou seja, mais gente para contratar. Isso envolve muitos custos para clubes: é preciso pensar na distribuição de grandes redes e em todas as suas lojas. Clubes que não possuem rede de lojas grandes e em outras cidades.

Em conclusão, vale os aplausos aos times de menor alcance que tiveram iniciativa e buscaram nova fonte de receita, com mais autonomia. E mais dinheiro na conta.

Imagem: Gazeta do Povo do Paraná

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8 Comentários

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    Esse é um nicho “novo” e que ainda haverá varios cases para dizer que será a solução para ter novas rendas ou até mesmo aumentar o poder de barganha numa renovação com as fornecedoras tradicionais.
    Neste primeiro momento o Paysandu e o Fortaleza são os cases realmente que estão dando certo e ultrapassaram a expectativas de venda e lucro.
    O que os 2 clubes tem em comum?
    São times de massa regionais. Possuem 3, 4 milhões de torcedores e a maioria dentro de seus estados, o que facilita a logistica de distribuição, além do mais, seus torcedores são fanaticos, o paysandu depois de todo seu sucesso no começo dos anos 2000 com o auge em 2003, passou 7 anos na serie C. O Fortaleza caiu para a C e ainda nao conseguiu sair dela, entretanto sempre são recorde de publico nos torneios estaduais, regionais e brasileiro.
    Ou seja, são torcedores que apoiam o time e a criação de uma marca vinculada ao clube nao seria diferente.
    Outros times do nordeste, alguns do centro oeste e alguns do sul tem essa mesma característica e poderiam investir neste modelo de negocio.
    Sucesso aos corajosos

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