O torcedor que o futebol brasileiro ainda não conquistou

O Brasil é conhecido mundialmente como o país do futebol. Aqui, o futebol atravessa gerações, famílias, cidades e até discussões que parecem nunca terminar.

Por isso, um dado da pesquisa mais recente do Datafolha chama atenção: 22% dos brasileiros declaram não torcer para nenhum time.

O número fica ainda mais interessante quando colocado ao lado das maiores torcidas do país. O Flamengo aparece com 22% da preferência nacional, exatamente o mesmo percentual de brasileiros que dizem não ter um clube. O Corinthians vem logo atrás, com 14%.

É quase impossível olhar para esse dado e não pensar em uma pergunta: quem está tentando conquistar essas pessoas?

O futebol brasileiro costuma concentrar seus esforços em quem já escolheu uma camisa. A disputa por torcida é constante: quem tem mais seguidores, mais sócios, mais camisas vendidas, mais audiência, mais engajamento.

Mas existe uma parcela enorme de brasileiros que ainda está fora dessa disputa.

E isso não significa, necessariamente, que essas pessoas não gostem de futebol. O próprio Datafolha mostra que 64% dos brasileiros declaram ter algum interesse pelo esporte. Existe, portanto, uma diferença importante entre gostar de futebol e pertencer a um clube.

Aqui existe uma oportunidade para o marketing dos clubes.

Conquistar um torcedor não deveria começar pela venda de uma camisa. Pode começar muito antes: em uma experiência positiva, em uma história que gere identificação, em um jogador que vire referência para uma criança, em uma ação dentro de uma escola, em um conteúdo que faça alguém pensar “esse clube tem a ver comigo”.

Os clubes já têm uma paixão enorme para trabalhar. O desafio talvez seja transformar essa paixão pelo futebol em paixão por uma marca.

E existe uma mudança importante acontecendo. As novas gerações não necessariamente escolhem seus clubes da mesma forma que seus pais e avós escolheram. A influência pode vir de um jogador, de um criador de conteúdo, de uma experiência digital, de um jogo, de uma comunidade ou simplesmente da maneira como aquele clube se apresenta para o mundo.

Enquanto os clubes disputam entre si os torcedores que já têm uma camisa, 22% dos brasileiros continuam sem nenhuma.

Em um país que se orgulha de ser o país do futebol, esse número não deveria ser visto apenas como uma estatística.

Deveria ser visto como uma oportunidade de mercado, de relacionamento e, principalmente, de construção de novas histórias.

A próxima grande torcida do futebol brasileiro pode não estar no rival. Pode estar entre quem ainda não escolheu nenhum clube.

Foto: Magnific.com

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